[Um outro olhar] Vidas em harmonia

Lá pelos idos de setembro de 1996, quando comecei a colaborar com textos para uma revista destinada ao varejo óptico que estava nascendo naquele momento no Rio de Janeiro – mais especificamente, a querida VIEW – eu nem imaginava que, meses depois, eu decidiria me dedicar integralmente a ela e a esse mercado, abdicando de muitas outras possibilidades profissionais. Foi durante a minha primeira feira, que na época se chamava “Óptica” e era realizada em julho, já fazendo parte do time efetivamente, que eu vi que ali era meu lugar.

Afinal, que setor poderia proporcionar uma interação tão completa entre saúde, tecnologia e moda? E olha que a tecnologia ainda era apenas um pequeno ensaio do que estava por vir e a moda, então, mal engatinhava, buscando o seu jeito próprio de estabelecer uma operação que combinasse rentabilidade, distribuição em larga escala e força de marca, capaz de deixar felizes fabricantes e grifes.

Se em quatro dias de feira pude perceber um mercado com muitas virtudes e necessidades que rapidamente me fisgaram, com o passar dos meses fui me dando conta de muitos outros aspectos incríveis. Profissionais que foram (e continuam sendo) professores de mão cheia e que têm o prazer de compartilhar suas melhores competências, a possibilidade de interagir com gênios da criação (cada um à sua maneira, seja o autodidata ou o de educação mais formal que, temporada após temporada, dão vida a novos modelos de óculos), a chance de viajar pelo mundo, desbravando os mercados locais e conhecendo tantas pessoas interessantes, ouvir lindas histórias de vida de profissionais que vieram do chão de fábrica e chegaram lá, tornando-se donos de empresas para lá de bem-sucedidas, além de amigos tão especiais que, se eu pudesse, os levava para as próximas vidas também – isto é, se elas existirem.

Uma outra coisa muito legal que logo percebi é que eu estava escrevendo para uma plateia predominantemente feminina. Mesmo que boa parte das lideranças ainda seja masculina, a força de trabalho nos balcões das ópticas desse Brasil afora está na mão das mulheres. Elas é que são responsáveis por fazer boa parte da óptica brasileira acontecer! Fico feliz de ver que mais mulheres chegaram a cargos de liderança nas ópticas nos últimos anos.

E as mulheres estão no centro de um tema tem sido discutido à exaustão: empoderamento, feminismo e por aí vai. Acho maravilhosas algumas das conquistas recentes, especialmente porque essa discussão também trouxe à tona questões raciais, de gênero e toda a diversidade. Dialogar é fundamental, mas há muito radicalismo. Por todos os lados. E radicalismo pouco ajuda na evolução das questões. Longe disso: é praticamente inimigo número um do respeito.

A mulher tem, sim, uma missão de se impor ao longo dos tempos e ainda deve ser assim por um bom tempo, mas há armadilhas no meio desse caminho: vitimização e conflito. A vitimização é parente do vício da reclamação, aquelas muletas emocionais que são prato cheio para a baixa autoestima. Impor-se como mulher ou ser humano é mostrar suas capacidades sem se sentir inferior em relação ao outro.

Antes de mulheres de um lado e homens de outro, somos todos seres humanos e o respeito a si próprio e ao próximo é essencial. Uma vida baseada em inimizades não leva ninguém muito longe. O empoderamento deve ser uma estratégia de amor próprio e não uma arma e acho que ele deve fazer parte naturalmente da vida de uma pessoa e não virar motivo de discórdia. Até porque, hoje em dia, boa parte das pessoas anda arrumando briga por qualquer coisa, então, que tal fazer parte do time dos seres humanos que respeitam a si mesmos e ao próximo e estão ocupados vivendo as próprias vidas? Mulheres são poderosas, homens são poderosos, pessoas são poderosas! Vidas em harmonia fazem muito melhor para as sociedades e para o planeta! “Bora” harmonizar?

Maníaca por óculos, Andrea Tavares é editora da VIEW e do Blog da VIEW

 

 

 

 

 

 

 

 

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