[Mondo Fashion] Calvin Klein

Um dos grandes ícones da moda norte-americana, o estilista tornou-se igualmente célebre tanto por vestir quanto por despir, à medida que sua alfaiataria refinada, vestidos de tapete vermelho e seu estilo contemporâneo e chique dividem as atenções com campanhas para lá de apimentadas, que mostram menos roupas e mais atitude. Desde agosto de 2016, a grife tem direção criativa do belga Raf Simons.

Texto Graziela Canella :: Concepção Andrea Tavares

 

Um autodidata do Bronx

1977: Calvin Klein em Nova York

Calvin Richard Klein nasceu em 19 de novembro de 1942 no bairro do Bronx, em Nova York. De origem judaica, desde criança se interessou por moda e logo aprendeu a desenhar e a costurar, vestindo as bonecas da irmã. Daí foi um passo para aprender a usar uma máquina de costura, com a ajuda da avó, para confeccionar vestidos para a mãe.

O talento nato e o espírito autodidata lhe renderam bolsas de estudo na escola secundária New York High School of Art and Design e no Fashion Institute of Technology (FIT), uma das principais faculdades de moda dos Estados Unidos, onde se formou em 1962. Dois anos depois, casou-se com Jayne Centre, que se tornou figura pública não na moda, mas nas páginas policiais – em 1978, a filha do casal, Marci Klein, foi sequestrada em Nova York aos 11 anos e libertada após pagamento de um resgate de US$ 100 mil. Calvin Klein se casaria novamente em 1986, com a fotógrafa de moda Kelly Rector, com quem permaneceu até 2006.

 

 

A primeira coleção

1975: criação do estilista nas páginas da Vogue

Após formar-se em moda, Klein trabalhou em uma loja de casacos masculinos até que, em parceria com o amigo de infância Barry Schwartz, lançou a primeira coleção própria, em 1968, no York Hotel. Com investimento de apenas US$ 10 mil, desenvolveu uma coleção masculina e feminina de casacos, paletós e blazers.

O executivo Don O’Brien, presidente da loja de departamentos Bonwit Teller, ficou impressionado ao ver o jovem estilista empurrando uma arara de roupas pelo corredor do hotel e fez uma grande encomenda, no valor de US$ 50 mil, quantia significativa para a época. Foi o início da história de sucesso da marca, que combinava os talentos de Klein na criação e de Schwartz na gestão dos negócios.

 

 

 

 

Sucesso e reconhecimento

Passarela: em 1989, Klein ao lado da supermodel Iman Abdulmajid (à direita)

O estilo minimalista e esportivo de Calvin Klein alcançou rápido sucesso e reconhecimento da indústria da moda e, antes mesmo da década de 70, suas criações já estavam nas páginas de publicações como Vogue e Harper’s Bazaar. Com silhuetas construídas em harmonia e proporção, de ombros estruturados e linhas alongadas, o estilista criou um estilo sofisticado e sóbrio, com tecidos nobres como seda, crepe, linhos e lãs.

Por três anos consecutivos, de 1973 a 1975, venceu o prestigiado prêmio Coty Award como melhor designer de moda feminina – foi então o mais jovem profissional a levar a honraria. Desde então, recebeu uma série de prêmios nacionais e internacionais. Com menos de dez anos de sua fundação, em 1977, a marca registrou faturamento de US$ 30 milhões e deu início às parcerias de licenciamento para lançar linhas de calçados, cintos, lenços e óculos.

 

 

 

A primeira de muitas polêmicas

Novinha: Brooke Shields foi alvo de polêmica aos 15 anos em campanha da marca

Os anos 70 também marcaram o lançamento de uma das marcas registradas de Calvin Klein, a linha de jeanswear, com excelente caimento e preços relativamente acessíveis. O auge do sucesso ocorreu em 1980, com o lançamento de uma das campanhas mais polêmicas da história da moda.

Musa e criador: Brooke Shields e Calvin Klein, em 1981

Protagonizadas pela bela atriz Brooke Shields, com apenas 15 anos, as fotos do norte-americano Richard Avedon estampavam a beldade vestindo jeans ao lado da frase “You want to know what comes between me and my Calvins? Nothing” (do inglês, “quer saber o que fica entre eu e meu jeans Calvin Klein? Nada”), sugerindo a ausência de roupas íntimas na modelo. Apesar das críticas pelo teor sexual e a pouca idade da atriz, o sucesso ficou evidente com as vendas de mais de 200 mil pares de calças jeans em apenas uma semana. O faturamento foi para US$ 160 milhões.

Outra grande sacada da marca veio recentemente, em junho, quando a atriz voltou aos holofotes, 37 anos depois, dessa vez protagonizando um editorial da revista Social Life vestindo apenas roupas íntimas – outra das principais marcas registradas da Calvin Klein, que também marcou a história da publicidade com campanhas polêmicas e memoráveis. Em plena forma, aos 52 anos, a atriz repostou a foto em sua conta no Instagram com a frase “Reunited with #mycalvins” (do inglês, algo como “reencontro com minhas peças Calvin Klein”, dessa vez um conjunto de calcinha e sutiã).

Trinta e sete anos depois: Brooke Shields de lingerie Calvin Klein em 2017, em editorial da revista Social Life

 

Cuecas no cinema

Na década de 80, o enorme sucesso dos jeans foi também reproduzido com lançamentos de coleções de underwear (do inglês, termo para “roupas íntimas”) e perfumes, que tiveram enorme impacto no faturamento da grife. As cuecas de cós bordado com o nome “Calvin Klein” tornaram-se objetos de desejo, modelo até hoje reproduzido por inúmeras marcas.

O sucesso foi tão grande que chegou ao cinema, em uma das cenas mais divertidas do clássico De Volta Para o Futuro, de Robert Zemeckis, em 1985. Quando o personagem de Michael J. Fox, Marty McFly, viaja no tempo e é socorrido pela mãe, nos anos 50, a jovem Lorraine (interpretada por Lea Thompson) vê o nome Calvin Klein bordado na cueca e presume ser esse o nome do rapaz resgatado, chamando-o constantemente de “Calvin” a partir de então.

Calvin do futuro: em De volta para o futuro, Lea Thompson e Michael J. Fox na cena em que a passa a chamá-lo de “Calvin” após ter visto o nome “Calvin Klein” bordado na cueca do protagonista

 

Na moda sem roupa

De parar o trânsito: Travis Fimmel para Calvin Klein

A campanha com Brooke Shields foi a primeira de uma longa série de colaborações com artistas e top models que renderam muito frenesi no mundo publicitário, que incluem nomes como Justin Bieber, Shakira, Hilary Swank, Eva Mendez, Kendall Jenner e Jamie Dornan, entre outros.

Kate Moss: nua em campanha do perfume Obsession, nos anos 90

Em 1992, aos 18 anos, a inglesa Kate Moss tornou-se musa do estilista e apareceu em diversas campanhas, inclusive uma do perfume Obsession em que posa nua e outra de roupas íntimas ao lado do ator Mark Wahlberg. A imagem anoréxica e a reputação rebelde da top renderam críticas dos conservadores.

As campanhas masculinas, por sua vez, causavam ainda mais comoção. O próprio Mark Wahlberg, um dos primeiros a posar com as cuecas da marca, nos anos 90, foi alegadamente responsável por crises de autoimagem e insegurança em homens de todo o mundo, segundo pesquisa realizada por psicólogos da Universidade de Wisconsin, em 2002).

No início da década de 2000, um pôster de quase 20 metros de altura com uma campanha da grife que mostrava os atributos do ator australiano Travis Fimmel teve de ser retirada da Oxford Street, em Londres, com alegação de que poderia provocar acidentes de trânsito.

De volta aos anos 90: Mark Wahlberg e Kate Moss

Contemporâneos: em 2015, foi a vez de Justin Bieber e da top Lara Stone repetirem as poses sensuais de Wahlberg e Kate

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebridades no underwear: campanhas com a atriz Hilary Swank (acima) e a modelo Kendall Jenner (abaixo)

 

Inseguros: Mark Wahlberg na campanha que mexeu com a autoimagem masculina

Jamie Dornan: o galã de Cinquenta tons de cinza já tirou a roupa para as campanhas da grife, em 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aposentadoria milionária

Em 1990, Calvin Klein lançou uma das marcas de difusão de maior sucesso na moda, a cK Calvin Klein, com linhas de roupas e acessórios de inspiração jovem, urbana e colorida. Nessa época, uma rede de lojas com seu nome se espalhava não somente pelos Estados Unidos, mas também pela Europa e a Ásia. Em 1996, Klein foi citado na lista dos 25 norte-americanos mais influentes do mundo da revista Time.

Em fevereiro de 2003, Calvin Klein vendeu sua marca para o grupo norte-americano Philips-Van Heusen (PVH), maior fabricante de camisas e gravatas do mundo, por US$ 438 milhões em dinheiro, além de US$ 30 milhões em ações e participação nas vendas até 2018. O estilista continuou trabalhando como consultor de criação por quase três anos, até a contratação do brasileiro Francisco Costa e do italiano Ítalo Zucchelli para desenhar coleções femininas e masculinas, respectivamente.

Desde agosto de 2016, quem comanda a criação da marca é o belga Raf Simons. Depois de Jil Sander e Dior com sucesso, Simons foi incensado pela imprensa e a crítica fashionistas desde a primeira coleção da Calvin Klein, apresentada na edição outono – inverno 2017 da Nova York Fashion Week. Uma de suas primeiras ações na grife foi a reedição do logo.

Novos ares: coleção assinada por Raf Simons na New York Fashion Week

 

Novo look: logo reeditado por Raf Simons

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Calvin Klein em números

Atualmente, a marca engloba linhas de roupas, calçados, perfumes (já foram lançadas mais de 100 fragrâncias Calvin Klein), cosméticos, acessórios, relógios, óculos e vários outros itens em mais de 1 mil lojas próprias e multimarcas em mais de 120 países. Teve faturamento de US$ 8,4 bilhões em 2016. Inclui divisões como Calvin Klein By Appointment (de roupas luxuosas sob medida), Calvin Klein 205W39NYC (antes conhecida como Calvin Klein Collection, de roupas sofisticadas), CK Calvin Klein, Calvin Klein Jeans e Calvin Klein Underwear.

Casa da grife: interior de loja Calvin Klein em Nova York, projetado pelo artista plástico norte-americano Sterling Ruby

 

 

Vinte e cinco anos de eyewear

 

Desde 1992, a Calvin Klein mantém parceria com a Marchon Eyewear na produção e na distribuição das coleções de óculos da grife principal e de linhas selecionadas como Calvin Klein Jeans. O estilo sofisticado, minimalista e urbano, muitas vezes pontuado por rebeldia e sex appeal, determina o ponto de partida criativo para cada coleção.

 

 

 

Calvin Klein modelo CK5975 215

 

Calvin Klein modelo CK8046 223

 

Calvin Klein modelo CK5974 416

 

Calvin Klein modelo CK1225S 628

 

Calvin Klein modelo CK8542S 228

 

Calvin Klein modelo CK2149S 412

 

Calvin Klein modelo CK3202S 001

 

 

Ícones

Roupas minimalistas e esportivas

Silhuetas enxutas e sofisticadas

Alfaiataria e vestidos de festa luxuosos nos tapetes vermelhos

Campanhas ousadas nas linhas de perfumes e underwear

Marca registrada: corpos seminus e fotos sensuais são uma constante no histórico publicitário da Calvin Klein

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pronúncia

Essa é uma das grifes com dificuldade baixa de pronúncia: “CÁL-vin CLÁ-in”. Em português, o “Calvin” tem pronúncia semelhante ao que se lê. Já o “Klein” requer um pouco de atenção: quando falado, o ditongo “ei” tem som de “ái”.

 

Influência digital: na campanha de 2015, as fotos eram pontuadas por diálogos em mensagens de texto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na rede

         

 

 

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