[Papo de Lab] Como lidar com as novas tecnologias no laboratório

O especialista Robert Minardi explica como lidar com as novas tecnologias no laboratório, da análise de compra à avaliação do novo equipamento (ou do sistema de produção) no dia a dia. O artigo é fruto da parceria da VIEW com a LabTalk, publicação da Jobson norte-americana.

Texto Robert Minardi :: Tradução Fabrizio Del Ducca :: Edição final Andrea Tavares

 

As novas tecnologias são fantásticas. Podem fazer o laboratório se abrir a novos mercados e revitalizar os negócios. Também podem fornecer à equipe de funcionários novos conjuntos de habilidades e oportunidades a fim de que os melhores se destaquem.

Mas a questão é: como incorporar novas tecnologias da forma menos dolorosa possível? É sempre divertido e lúdico calcular lucros projetados e ler catálogos sensacionais, mas o que fazer depois de ter encomendado o equipamento? A verdade é que muitos laboratórios ou escritórios adiam a incorporação de novas tecnologias, pois ficam temerosos sobre o possível transtorno que isso pode causar. E se preocupam como isso atrapalhará os processos e a eficiência da produção atual. Se, por um lado, é bom manter um nível de ansiedade saudável ao adotar novas tecnologias, por outro lado, elas não deveriam ser temidas.

Aqui estão algumas orientações para tornar mais suave a próxima atualização tecnológica do laboratório. Usei como base um sistema free-form, mas as diretrizes podem ser aplicadas em qualquer contexto.

Antes de tudo, muita pesquisa

Em primeiro lugar, assumirei que houve uma pesquisa incansável até decidir o novo equipamento ideal para o laboratório. O ideal é ter visitado ou, pelo menos, tido contato com laboratórios que estejam usando o mesmo equipamento que se planeja comprar, a fim de obter uma avaliação “realista” sobre o produto. Afinal, ninguém quer comprar um equipamento e descobrir que aquele modelo específico tem problemas ou não se encaixa na configuração atual do laboratório.

Time para o sucesso

O próximo passo é envolver as pessoas. Em geral, um grupo de funcionários que ficará responsável pela instalação e a implementação do equipamento com sucesso. Esse grupo deve incluir pessoas de todos os níveis da estrutura de comando: alguém da alta gerência, gerente do laboratório, supervisores, lideranças e pessoas que trabalharão diariamente com o equipamento.

O tamanho da equipe dependerá do volume de equipamentos a ser comprado. Se for uma linha completa de free-form, desde o bloqueador até o gravador, será preciso de mais pessoas do que um grupo para a aquisição de um único gerador.

Todos os funcionários selecionados receberão tarefas. Por exemplo, o supervisor e o gerente de laboratório podem coordenar as atualizações de infraestrutura, enquanto a equipe da linha de produção e os líderes desenvolvem a nova planta baixa. Todo mundo verifica o progresso do outro e o objetivo de todos é o sucesso.

 

Foco na infraestrutura

Com o equipamento comprado e a data de instalação agendada, é provável já ter recebido ao menos uma visita do técnico do fabricante. Essas visitas têm por objetivo diagnosticar o que precisa ser feito internamente para garantir a instalação bem-sucedida do equipamento. Costuma-se identificar quatro categorias principais: sistema elétrico, sistema hidráulico, rede e logística.

Os requisitos de energia são baseados nas recomendações do fabricante. Mesmo que alguém no laboratório seja um mago com um multímetro, um eletricista deve checar se a energia da empresa é robusta o suficiente para o novo equipamento – um profissional tem experiência e familiaridade com o sistema de energia local para informar sobre possíveis problemas. Isso é essencial, pois se a fonte de energia não for capaz de suportar a carga do novo equipamento, pode haver quedas de energia a cada cinco minutos. A produção afunda e a folha de pagamento sobe no telhado.

Os requisitos hidráulicos variam de máquina para máquina. Algumas precisam de água em temperatura ambiente, enquanto outras requerem água desionizada ou líquido de refrigeração. Isso é importante porque, no caso da água desionizada, por exemplo, é importante saber a vida útil dos tanques e configurar o cronograma apropriado para a troca.

Ao adquirir uma nova tecnologia, é preciso conectá-la à rede. É importante que a área de Tecnologia de Informação conecte os cabos e prepare a rede com antecedência. Por experiência pessoal, vale certificar-se de ter todos os nomes de usuários e as senhas prontos para cada computador. É normal esquecer-se de computadores pouco acessados mas, confie em mim, a lei de Murphy diz que será preciso acessar aquela caixa preta empoeirada embaixo da mesa para completar a instalação.

Outro ponto importante é nunca negligenciar a logística da instalação física do equipamento. Deve-se obter todas as dimensões da máquina e planejar o caminho exato que o equipamento deve percorrer para chegar ao destino final. Embora seja fácil deslizá-lo para fora do caminho, é importante checar que não haja nada permanente, como encanamento ou elementos estruturais, no caminho do novo equipamento. No caso de grandes volumes, vale considerar o uso de uma empilhadeira para colocá-los no lugar – para isso, é preciso descobrir que tipo de empilhadeira será necessária e a altura que o equipamento alcança ao ser elevado a pelo menos 15 centímetros do chão.

Ao fabricante, só cabe informar o que precisa ser feito e, ao laboratório, garantir que tudo esteja pronto na dia de entrega. Todas as questões sobre infraestrutura e logística devem ser totalmente concluídas pelo menos duas semanas antes de o equipamento chegar. Do contrário, o maior e mais caro peso de papel já existente estará encalhado no laboratório.

Tudo documentado

O novo equipamento e a nova tecnologia podem ser completamente estranhos, de forma que não será possível detectar padrões de desempenho e danos por semanas ou talvez meses. É fundamental reunir o máximo de informação possível para solucionar problemas se, porventura, surgirem. A criação de um histórico (exemplo a seguir) para cada novo equipamento pode ser um incômodo em um primeiro momento, mas economiza muito tempo ao longo do caminho.

 

Eis aqui o modelo de uma tabela de históricos que deve ser criada para cada novo equipamento, com algumas diretrizes e seu conteúdo.

 

Com mais de 25 anos de experiência em produção, o norte-americano Robert Minardi integra o comitê de certificação do Conselho de Óptica dos Estados Unidos e possui o certificado Lean Six Sigma na Black Belt com histórico em controle de qualidade.
*Artigo publicado na edição Maio – Junho 2017 da LabTalk, publicação da Jobson Medical Information.

 

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