Kering Eyewear desembarca no Brasil

Com a parceria estratégica recém-assinada com a GO, grifes como Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta, entre outras, estão de volta ao mercado brasileiro. A VIEW conversou com a CEO da GO, Joyci Lin, e o executivo da GO responsável pelo desenvolvimento dos negócios da Kering Eyewear no Brasil, Rui Lima Jr.

 

Em junho, a GO reforçou suas operações no Brasil ao fechar uma parceria estratégica de distribuição exclusiva em território nacional com a Kering Eyewear, a subsidiária de óculos do Kering, o conglomerado francês de marcas de luxo e moda.

Trata-se de um acordo de cinco anos com a possibilidade de um estudo de viabilidade da criação de uma joint venture a partir do terceiro ano ou renovação por mais cinco anos. Do inglês, joint venture significa algo como “empreendimento conjunto” e é a expressão que denota a associação de empresas para a realização de um novo empreendimento comercial.

Atualmente, a Kering Eyewear conta com 12 marcas em seu portfólio: Gucci, Bottega Veneta, Saint Laurent, Alexander McQueen, Stella McCartney, McQ, Boucheron, Pomellato, Brioni, Tomas Maier, Christopher Kane e Puma. E, em um primeiro momento, a GO lançará seis delas: Bottega Veneta, Boucheron, Gucci, McQ, Puma e Saint Laurent, que desembarcarão no país no final de agosto, quando serão apresentadas em um evento exclusivo para clientes. A previsão é que as demais venham a partir de 2018.

 

Fidelidade e consistência

Segundo a CEO da GO para o Brasil, Joyci Lin, houve muita sinergia no acordo, já que a empresa adiciona um grupo de marcas de um segmento que faltava em seu portfólio, até então focado em linhas de consumo de massa (Ana Hickmann, Atitude, Bulget, Evoke, Hickmann, Jolie e Speedo) e alto luxo (Cartier). Para a Kering, é a oportunidade de aliar-se a uma empresa estabelecida no mercado de forma sólida, atuação relevante e já em operação, sem a necessidade de investir verba para instalar uma subsidiária e tempo para fazer a operação decolar.

“O Risco Brasil, aliado às incertezas político-econômicas do país, afastariam a Kering do país por pelo menos três anos, caso desejasse abrir uma subsidiária”, explica o diretor responsável pela gestão da Kering Eyewear na GO, Rui Lima Jr. “E, além de ter uma operação pronta, a GO tem a experiência de uma parceria muito frutífera com a Cartier desde 2006”. Joyci completa: “a GO constrói parcerias duradouras. Com a Speedo, por exemplo, já são 12 anos de acordo, que acabou de ser renovado por mais dez anos. Eu acredito na fidelidade e em parcerias consistentes e sustentáveis”.

A GO conduzirá a Kering Eyewear no Brasil seguindo os padrões globais de comercialização de cada grife. As mais luxuosas serão distribuídas apenas em pontos selecionados e contarão com brand ambassadors (do inglês, “embaixadores de marca”), que farão a gestão das grifes junto ao varejo. Algo que a empresa já está acostumada por conta da experiência com Cartier.

Nos quatro primeiros meses deste ano, a GO registrou faturamento de vendas 25% superior ao mesmo período do ano passado. E as possibilidades são ainda mais positivas com esse reforço no portfólio, ampliando seu leque de atuação no mercado nacional. “Por convicção e plano estratégico, o objetivo da GO é servir o varejo e essa parceria vai permitir à GO fazer isso de forma ainda mais abrangente. É por isso que não há nenhum interesse por parte da empresa de entrar no varejo, porque, ao fazer isso, estará competindo em vez de servir. As associações da GO são para proteger o varejo e não competir com ele”, define Joyci.

Outro ponto importante para empresa é a produção nacional, que estimula o desenvolvimento e reduz a dependência das importações. Em 2014, foram investidos R$ 30 milhões em uma fábrica em Palmas.

 

A Kering, em detalhes

A fim de maximizar o potencial de seu portfólio de marcas, em setembro de 2014, o conglomerado francês (que até março de 2013 era conhecido como PPR, sigla para “Pinault-Printemps-Redoute”) anunciou um novo modelo de negócio, por meio da qual passou a controlar totalmente sua operação de óculos, desde a concepção até o desenvolvimento de produtos e a distribuição e do branding (do inglês, “gestão de marca”) e do marketing às vendas.

Para isso, fundou, no decorrer de 2015, a Kering Eyewear, divisão exclusivamente especializada em óculos sob a direção do executivo italiano Roberto Vedovotto, CEO da Kering Eyewear e CEO da Safilo por mais de uma década. Essa estratégia “de internalização” inaugurou uma nova era no mercado óptico mundial no que diz respeito à concessão de licenças para o design, a fabricação e a distribuição de coleções de óculos de grifes e marcas.

O primeiro passo foi antecipar o final dos contratos de licenciamento das grifes que estavam com a Safilo, entre elas, a Gucci – há mais de duas décadas nas mãos da corporação italiana. Para começar, concordaram em rescindir o contrato de licenciamento da grife italiana dois anos antes, mais precisamente, em 31 de dezembro de 2016. A contrapartida para a Safilo foi o pagamento de € 90 milhões divididos em três parcelas entre 2015 e 2018. Na sequência, a Safilo também confirmou o acerto com a Kering Eyewear de antecipar o fim dos acordos das licenças de Alexander McQueen, Saint Laurent e Bottega Veneta para 30 de junho de 2015 – até então, as duas primeiras tinham contrato até o final daquele ano e a última, até o fim de 2020.

 

Plenitude no potencial

Em entrevista ao jornal norte-americano Vision Monday, publicação da Jobson Medical Information, em setembro de 2015, Roberto Vedovotto afirmou que “os óculos representam uma categoria estratégica para o conglomerado. Por meio desse projeto inovador, a Kering Eyewear tem por objetivo fazer cada grife cumprir seu pleno potencial de crescimento nesse segmento de negócio, aproveitando o apelo único de cada uma delas”.

Em 2015, a operação de óculos das marcas que integravam o conglomerado francês estava avaliada em € 350 milhões, fazendo da Kering Eyewear uma das cinco maiores corporações do setor. Naquela altura, 11 marcas do Kering atuavam na categoria eyewear, nove das quais eram gerenciadas por meio de contratos de licença com cinco parceiros diferentes e geravam royalties (do inglês, termo que define a porcentagem das vendas paga a uma empresa pelo licenciamento de uma marca) consolidados de aproximadamente € 50 milhões.

O Kering está entre os maiores conglomerados de grifes de luxo, moda, esporte e estilo de vida. Tem em seu portfólio as marcas Alexander McQueen, Balenciaga, Bottega Veneta, Boucheron, Brioni, Christopher Kane, Cobra, Dodo, Girard-Perregaux, Gucci, JeanRichard, McQ, Pomellato, Puma, Qeelin, Saint Laurent, Stella McCartney, Tomas Maier, Ulysse Nardin e Volcom. Está presente em mais de 120 países, com receita de € 12,4 bilhões e mais de 40 mil funcionários em 2016.

 

Parceria com Cartier

A sinergia entre a GO e a Kering Eyewear passou até pela coincidência de um acordo entre a empresa francesa e a Cartier, marca de alto luxo representada no Brasil exatamente pela GO. Em junho, o Kering Group confirmou a criação de uma parceria estratégica entre a Kering Eyewear e a maison Cartier, parte do conglomerado suíço de marcas de luxo, Richemont, a fim de unir suas operações para criar uma plataforma mais forte para desenvolvimento, fabricação e distribuição mundial da coleção de óculos da Cartier.

Sob os termos do acordo, a Richemont adquirirá participação minoritária das ações da Kering Eyewear e, com isso, a Kering Eyewear será integrada à MCL, sigla de “Manufacture Cartier Lunettes”, a unidade produtiva da marca de joalheria francesa situada nos arredores de Paris. A coleção da Cartier primavera – verão 2018 que será apresentada durante a edição 2017 da feira parisiense Silmo, em outubro, marcará o início da parceria.

Inaugurada em 2013 e concebida integralmente sob o conceito da sustentabilidade, a sede da MCL ocupa uma área de 8 mil metros quadrados em Sucy-en-Brie, cidade a cerca de 40 minutos do centro de Paris. Com 215 funcionários, abriga todo o processo produtivo – a exceção é a linha de alta joalheria, que requer especificidades técnicas, e, por isso, é produzida no ateliê da joalheria. Da MCL, saem para o mundo óculos feitos de acetato, chifre, madeira (de espécies nobres como Bolivar e Bubinga), metal (que recebem banhos de ouro e platina de, no mínimo, 3 mícrons) e ouro maciço (nas tonalidades amarelo, branco e rosa).

468 ad