Expo Abióptica 2017: salva pelos ventos da mudança

Realizada de 24 a 27 de maio (quarta-feira a sábado) no Transamérica Expo Center, em São Paulo, a Expo Abióptica 2017 teve um crescimento de público de 20,5% em relação ao ano anterior – motivado, principalmente, pelas impactantes notícias do começo deste ano e o consequente desejo dos empresários brasileiros de repensar seus negócios e suas parcerias.

Texto Andrea Tavares :: Fotos Douglas Daniel :: Colaboração Flavio Bitelman

 

O mercado óptico vem passando por muitas mudanças nos últimos dez anos. Tanto global quanto localmente. Seja pelos seus novos contornos (mais profissionais), seja pela tecnologia, o redesenho das relações comerciais, os novos perfis de consumidores ou a escassez de dinheiro gerada pela crise econômica. E, fazendo jus a um mundo que parece girar cada vez mais rápido e vive tempos estranhos, as mudanças têm sido mais velozes e cada vez mais intensas.

Janeiro está aí para provar. Em duas semanas, o Brasil foi impactado por dois fatos bombásticos: no dia 16, a combinação entre Essilor e Luxottica, gerando a gigante EssilorLuxottica, e, no dia 30, a compra da Óticas Carol pela Luxottica – naquela altura, com 950 pontos de venda. Se a primeira notícia já estava dando muito pano para manga em todas altitudes e longitudes do planeta, a segunda pesou ainda mais para o mercado brasileiro, por se tratar de uma negociação que afeta diretamente o varejo local.

Esse vento de mudanças sacudiu o Brasil e parece ter mexido com os brios de muita gente, que fez disso tudo um ponto de partida para repensar seus negócios e suas parcerias. Nesse cenário, uma feira pode ser a oportunidade de trocar ideias e encontrar novas alternativas. Eis que maio chegou e a Expo Abióptica 2017, realizada de 24 a 27 deste mês, no Transamérica Expo Center, zona sul de São Paulo, acabou se beneficiando desse momento de desejo de redesenho dos negócios por parte de muitos varejistas brasileiros.

Não é novidade para quase ninguém que as perspectivas não eram as melhores para o evento e a expectativa era de pouco público, levando-se em conta o momento econômico do país e os reflexos que isso tem causado no varejo óptico, além da ausência de expositores de grande porte como Luxottica, Safilo e De Rigo – a Luxottica havia ficado de fora de 2008 a 2011; a Safilo, em 2008 e 2009; a De Rigo (quando ainda era Wilvale De Rigo), em 2011.

Mas a cena atual favoreceu a feira, que somou 11.997 visitantes nos quatro dias de evento, o que representa uma elevação de 20,5% em relação ao ano anterior. No ano passado, a Expo Abióptica havia contabilizado o seu pior público: apenas 9.957 visitantes – em 2015, foram 11.816 pessoas presentes.

Parece que esse avanço no total de visitação foi motivado apenas por circunstâncias externas, como as notícias impactantes deste ano, já que o evento não trouxe nenhuma renovação de peso em relação às demais edições. As principais feiras de óptica internacionais (e, de fato, globais) como a italiana Mido, o francês Silmo e a norte-americana Vision Expo East têm suado a camisa ano após ano, criando atratividade e razões para que os ópticos saiam do conforto de suas lojas para visitar esses eventos, porque sabem que vai valer a pena, que obterão reais resultados. Por conta disso, a Mido tem batido recordes consecutivamente – a edição deste ano, por exemplo, fechou com 55 mil visitantes.

Para a Expo Abióptica ganhar relevância e tornar-se objeto de desejo dos ópticos brasileiros, é preciso promover uma mudança mais radical. Talvez seja a hora de repensar a missão da feira, investindo tempo, talento e criatividade em algo que, de fato, agregue valor à visita do lojista e gere mais faturamento aos expositores – dessa forma, sem dúvida, todo o setor se beneficia.

No ano que vem, a feira deixa o mês de maio e volta para abril, seguindo o padrão das edições anteriores. A Expo Abióptica 2018 está marcada para 10 a 13 de abril e a novidade é que experimentará apenas os dias úteis, sendo realizada de terça a sexta-feira – nos últimos oito anos, de 2010 a 2017, a opção foi pelo modelo quarta-feira a sábado.

 

Expo Abióptica 2017: público

O ano passado foi o primeiro da Expo Abióptica a ficar abaixo de 10 mil visitantes – exatas 9.957 pessoas, queda de 18,6% em relação a 2015 (11.816 profissionais). Já este ano, houve uma recuperação para a casa dos 11 mil – mais precisamente, 11.997 visitantes, elevação de 20,5%, igualando-se aos índices de 2015.

O total de visitantes equivale às entradas individuais, desconsiderando os retornos (até porque há quem vá à feira todos os dias e outros apenas uma vez). Já o total de visitação leva em conta todos os registros feitos pelos leitores eletrônicos do Transamérica Expo Center durante o evento.

Top 10 dos estados

Reviravolta no ranking dos dez estados com mais visitação: as regiões Centro-Oeste e Norte representadas, respectivamente, por Goiás e Pará no ano passado, deixaram a lista, dando lugar a dois estados do Nordeste: Ceará na 9ª colocação e Rio Grande do Norte em 10º. Os ópticos pernambucanos também turbinaram sua presença na feira, alçando seu estado para do 10º para o 6º lugar. O Paraná também fez progresso, subindo da 4ª para a 3ª colocação, marcando 456 pessoas.

O topo do ranking continua, obviamente, dominado por São Paulo, que tem absolutos 68,5% do total de visitação, perfazendo 8.224 pessoas, e o vice-líder Rio de Janeiro, com 792 visitantes. Novamente, todos os estados da federação marcaram presença e Roraima segue na lanterninha, com sete representantes – em 2016, foram quatro.

 

São Paulo dá as cartas

Em termos percentuais, o estado que é considerado a locomotiva do país manteve sua presença, com 68,5% do total de visitantes (no ano passado, ficou com 69%), somando 8.224 pessoas. A divisão entre capital, Grande São Paulo e interior ficou, respectivamente, com 3.823, 1.442 e 2.959 profissionais.

 

Visitação por regiões do Brasil

As regiões do país mantiveram-se nas mesmas posições do ano passado, sendo que o total de público das três primeiras (Sudeste, Nordeste e Sul) cresceu quase na mesma proporção que os 20% de aumento do total geral de visitação – 9.456, 1.085 e 775 profissionais. Já o Centro-Oeste e o Norte, respectivamente na 4ª e na 5ª colocações, tiveram um avanço de público mais tímido, ambas com cerca de 7%, ficando com 327 e 264 visitantes.

 

Presença gringa

Depois de dois anos consecutivos de queda, cresceu em 36% o interesse estrangeiro pelo Brasil na Expo Abióptica 2017: 90 profissionais de 19 países, frente às 66 pessoas de 15 nações em 2016.

O trio de países no topo da lista manteve-se, porém, revezaram de posições este ano: antes Argentina, Paraguai e China e, agora, China, Paraguai e Argentina. Se em 2016, os Estados Unidos caíram da vice-liderança para o 4º lugar, desta vez tropeçaram novamente, passando a ocupar a 6ª colocação.

Outro destaque deste ano na presença gringa foi a saída de cinco países da lista em relação ao ano anterior (Coreia, Irlanda, Israel, Japão e Malásia) e a entrada de outros nove: Áustria, Colômbia, Espanha, México, Peru, Portugal, Suíça, Ucrânia e Uruguai.

 

 

Tudo sobre a Expo Abióptica 2017

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