O planejamento ou a transição da carreira

Pensar na própria carreira é necessário sempre, segundo a professora do Provar, Érica Oliveira. Neste artigo que celebra mais uma vez a sólida parceria entre a VIEW e o Provar, a especialista em Gestão de Carreira explica que ter clareza sobre a identidade individual, os pontos fortes e aqueles que precisam ser desenvolvidos é fundamental na busca por oportunidades coerentes com a singularidade de cada pessoa.

 

Muito tem sido discutido sobre trabalho no Brasil diante de tantas notícias sobre as reformas da legislação trabalhista e da Previdência Social. E, embora seja muito mais comum ouvir falar em planejamento de carreira para quem está iniciando na vida profissional, os passos desse processo são válidos para qualquer momento da vida, já que nem todos têm oportunidade de começar uma vida profissional planejada.

Depois de muitos anos de estudo, pesquisadores recomendam cinco passos para um bom planejamento de carreira: autoavaliação, estabelecimento de objetivos, plano de ação, identificação de oportunidades de carreira e, finalmente, implementação do plano.

O primeiro passo, a autoavaliação, é fundamental para definir todos os demais, pois, apenas quando uma pessoa conhece seus valores pessoais, as características centrais de sua personalidade e suas habilidades mais naturais é que poderá começar a imaginar o que pode ter como objetivos factíveis para sua vida profissional, que lhe tragam boas oportunidades de desenvolvimento e, quem sabe, até mesmo do cumprimento de sua missão no mundo.

 

Cada um com seu cada um

Esse é o ponto principal da reflexão proposta nestas páginas: ter mais clareza sobre a identidade individual e os próprios pontos fortes e aqueles que requerem maior esforço para serem desenvolvidos é fundamental para a busca por oportunidades com a singularidade de cada pessoa.

Enquanto qualquer um pode utilizar testes especializados para conhecer melhor seus valores e sua personalidade, refletir sobre as habilidades naturais é bem diferente para pessoas que estão iniciando suas carreiras e para aquelas que já têm experiência profissional: para os mais jovens, é preciso pensar nas atividades familiares ou escolares de que mais gostam e aquelas que fazem com mais facilidade; já para as pessoas que estão no mercado de trabalho, a experiência é a principal fonte para descobrir tais habilidades.

Por exemplo, um adolescente que está prestes a escolher uma carreira que tem a oportunidade de participar de orientação vocacional: durante o processo, terá de listar as matérias da escola de que mais gosta, as atividades que prefere fazer nos momentos de lazer e se é responsável por alguma tarefa de casa para ajudar a família. Será que a preferência é por escrever belos textos ou fazer muitas contas? Realizar experimentos científicos no laboratório da escola ou ler sobre História? Como lazer, a escolha é por atividades com os amigos, fora de casa, ou assistir a filmes, ler livros ou jogar videogame? Para ajudar a família, prefere cuidar das tarefas em casa ou resolver as pendências de rua?

Essas respostas fornecem pistas importantes sobre que tipo de atividade profissional a pessoa tem mais aptidão para realizar, mesmo que ainda não esteja inserida no mercado de trabalho.

 

A transição

Com pessoas mais experientes, a vida profissional é a grande fonte para essa mesma reflexão: durante o percurso profissional, que momentos representaram grandes desafios? E em quais desses desafios houve maior sucesso e o que a pessoa fez para contribuir para esse sucesso? Que atividades realiza com mais facilidade e/ou mais prazer? Quais evita sempre que pode?

A expectativa de vida tem aumentado principalmente graças ao desenvolvimento da medicina, ou seja, a tendência é que as pessoas trabalhem por muitos anos durante suas vidas. Além disso, os ciclos de carreira estão cada vez mais curtos: os períodos que uma pessoa passa trabalhando em uma mesma empresa e/ou exercendo uma mesma função são menores.

Juntas, essas duas tendências resultam também em um aumento da possibilidade de transições de carreira durante a vida: sair de uma profissão e partir para outra e, para isso, será preciso desenvolver novas competências (aprender a fazer atividades que antes não se fazia) e uma nova rede de relacionamentos (conhecer pessoas diferentes das que faziam parte da vida profissional anterior).

Isso ocorre, por exemplo, quando o gerente de uma empresa se torna empreendedor: já sabia fazer muito bem suas atividades, mas agora passará a ser o responsável pela nova empresa – terá de fazer coisas bem diferentes! Ou quando um professor decide atuar na área administrativa de sua escola, não mais na docência. São infinitas as possibilidades!

Quando uma pessoa começa a cogitar uma transição de carreira é muito adequado realizar a autoavaliação. Mesmo que já trabalhe há algum tempo, conseguirá, refletindo sobre seus valores, personalidade e habilidades que desenvolveu ao longo de sua trajetória profissional, ter maior clareza sobre que novas profissões lhe dão condições de seguir seu percurso com maior chance de sucesso, não somente financeiro, mas também considerando sua satisfação com o novo trabalho que realizará.

Como as pessoas passam uma boa parte do tempo trabalhando e trabalharão por muitos anos, certamente é sempre hora de pensar na própria (e, quem sabe, na próxima) carreira!

 

Érica Oliveira é Doutora em Administração, com ênfase em Gestão de Carreiras, e uma das coordenadoras dos cursos de MBA do Laboratório de Finanças (LabFin) da Fundação Instituto de Administração (Fia).

 

 

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