[Dicas & Estratégias] A arte de se relacionar

A professora do Provar, Maria Celeste Guimarães, trata da importância dos recursos que podem ajudar as pessoas a se relacionar consigo mesmas e com os outros. Este é mais um texto que reforça a parceria entre a VIEW e a renomada instituição para o ensino do varejo, o Provar.

 

A tecnologia tem contribuído bastante na vida diária. Na óptica, um exemplo recente são os óculos da Tzukuri, equipados com sensor de posicionamento. Dotados de sensores ativados por microbateria recarregável pela luz solar, emitem sinais transmitidos via bluetooth para o celular do usuário. Um aplicativo decodifica o resultado da busca, que é exibido em um mapa virtual. Há também um recurso que possibilita até localizar os amigos mais próximos que usem peças semelhantes.

 

Realização das aspirações – Nem tudo se torna simples pela evolução tecnológica, mas pesquisas em outras áreas do conhecimento ajudam o ser humano a superar obstáculos importantes. Antes se imaginava que o alto índice de quociente intelectual, também conhecido pela sigla “QI”, seria suficiente para o indivíduo garantir sucesso profissional e manter um bom emprego. De acordo com a National Academy of Sciences, estudo do qual participou o vencedor do prêmio Nobel de Ciências Econômicas, o norte-americano James Heckman, apenas o QI elevado não garante sucesso profissional, financeiro e muito menos a empregabilidade.

Outros fatores como inteligência emocional, saúde física e mental, interesses além do trabalho, bom relacionamento com a família e amigos, são, segundo os pesquisadores, igualmente importantes para tornar reais as aspirações de qualquer um. Por quê? Auxiliam em aspectos como habilidade de solucionar problemas, capacidade de trabalhar sobre pressão, colaboração nas atividades em grupo, gestão de conflitos, administração do tempo, definição, planejamento e execução de objetivos.

E a solidão? “Muitas vezes erramos nas decisões solitárias, mas ao decidir também podemos nos equivocar, importante é corrigir; às vezes não dá, o erro fica gravado na mente e molda nosso caráter”, como tão bem resumiu a atriz Fernanda D’Umbra em sua coluna em uma revista feminina. Para ela, “existe uma diferença entre solidão e solitude – um poder e privilégio” que é alcançado pela liberdade de escolha.

Atualmente, poucas pessoas sabem como e quando conseguir momentos livres, ouvir uma boa música, ler um livro ou até escolher um filme que ninguém quer assistir, principalmente em tempos de tantos e-mails e redes sociais. Pode fazer toda a diferença desligar o smartphone quando não se consegue resistir ao modo silencioso ou fechar o computador para se concentrar em pensar com calma na solução de um assunto importante ou para ouvir um colega, filho, irmão ou amigo em alguns momentos.

 

Desenvolvimento pessoal – A arte de se relacionar consigo mesmo e os outros tem sido estimulada nos campos pessoal e profissional com a disseminação e o uso das técnicas de Comunicação Não-Violenta (também conhecida pela sigla “CNV”), cujo principal objetivo é auxiliar a resolver conflitos de forma eficaz.

Para o psicólogo norte-americano Marshall B. Rosenberg, que desenvolveu o método da CNV, a comunicação passa a ser mais profunda quando se entende verdadeiramente as próprias necessidades e, a partir desse novo patamar, cria-se um espaço comum com os interlocutores. Isso faz os relacionamentos serem mais transparentes, prazerosos e as soluções ocorrerem respeitando o livre pensar e os limites de cada um.

O psicólogo francês Pierre Weil considera que o principal mérito da CNV é desenvolver a empatia, ao ensinar a se colocar no lugar do outro, “o que é de grande ajuda até nos casos mais difíceis de rupturas e má comunicação”.

A atenção aos cuidados com a saúde ajuda a melhorar a qualidade de vida por várias razões. Recentemente, o canal Science of Us da NYMag.com publicou uma matéria, assinada pela editora Melissa Dahl, que aborda os benefícios da corrida e de outras atividades físicas para estimular a criatividade, ajudar na tomada das decisões, melhorar o bem-estar graças à liberação das endorfinas e reforçar a autoestima. E no jornal New York Times, a colunista Joyce Carol Oates considerou que “… a mente flutua com os passos na corrida”. Para outros autores, é difícil alguém se sentir decepcionado consigo mesmo após praticar uma boa atividade física. Várias pessoas mencionam que praticar exercícios aumentou a percepção de estar presente aqui e agora. Existem também relatos do sentimento quanto a estar construindo uma nova pessoa.

Já o youtuber norte-americano Casey Neistat, que soma quase 8 milhões de seguidores, relatou a revista Runner’s World que “todas as decisões que tomou nos úultimos oito anos foi praticando corrida ou algum tipo de exercício físico”.

 

Novos neurônios – Na área da Neurociência, após três décadas de pesquisa científica, comprovou-se importante ligação entre exercícios físicos e cognição. De acordo com a presidente da Academia norte-americana de neuropsicologia clínica, Karen Postal, há evidência concreta que demonstra o aumento na neogênese, que é o nascimento de novos neurônios, inclusive em adultos, com a prática de exercícios aeróbicos.

Como ocorre esse processo? Após 20 a 30 minutos de exercícios aeróbicos, a pessoa começa a transpirar, o que além de beneficiar a área cardiovascular, gera aumento do fluxo sanguíneo para todo o corpo, inclusive na região do lobo frontal. Essa área cerebral, conhecida em inglês como “frontal executive network system”, se localiza obviamente na fronte, atrás da testa, e, entre outros atributos, está associada a vários aspectos cognitivos como concentração, foco, clareza mental, equilíbrio emocional e redução dos danos provocados ao corpo pelo stress, conforme a doutora em psicologia pela Harvard Medical School, Emily E. Bernstein.

Os desafios são grandes, mas parece ser consenso que, quando se dá um pouco mais de prioridade a certos aspectos relevantes da vida, os benefícios ultrapassam o universo particular e se ampliam a todos em volta.

 

Maria Celeste Guimarães é professora, com mestrado em administração de empresas. Atualmente, é uma das coordenadoras dos cursos de MBA e Pós-graduação do Laboratório de Finanças (LabFin) da Fundação Instituto de Administração (Fia). Profissional com experiência nas áreas de gestão, marketing e comercial, foi diretora de entidades como Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e de empresas globais e nacionais.
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