Um bate-papo com Stefan Nilsson da GrandVision by Fototica

A VIEW bateu um papo com o novo CEO para o Brasil da GrandVision by Fototica, o sueco Stefan Nilsson, no cargo desde janeiro.

 

Reportagem Flavio Bitelman :: Texto Cíntia Marcucci

 

Stefan Nilsson: desde janeiro no comando da GrandVision by Fototica

No início do ano, ocorreram mudanças na GrandVision by Fototica. A rede brasileira integra desde 2007 a GrandVision, braço de varejo óptico do fundo de investimentos holandês Hal, e vem passando por adaptações graduais para atingir o modelo de comércio global concebido pela marca. Para o cargo de CEO (do inglês “chief executive officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo), entra agora o sueco Stefan Nilsson, que assume o lugar de Álvaro Vieira, no posto desde 2014 e que passou a comandar a operação para a América Latina, ficando baseado no México.

 

Objeto de desejo – Nilsson está há pouco tempo no ramo. Chegou na GrandVision há cerca de um ano, vindo da Nespresso, a gigante das cápsulas de café de propriedade da Nestlé. Começou trabalhando por quatro anos na própria Nestlé, na Suíça, e então passou 15 anos na Nespresso. Coube a Nilsson trazer a marca ao Brasil em 2009 e transformá-la em objeto de desejo. Sua formação acadêmica é em administração de empresas na Rochester University, em Nova Iorque, e engenharia mecânica no Instituto Real de Tecnologia, em Estocolmo.

“Nasci em uma pequena cidade de 3 mil habitantes ao sul de Estocolmo e sempre tive vontade de viajar. Sabia que precisava sair dali, ganhar o mundo. E fui, primeiro comprando os tíquetes de viagem mensais de trem da Europa e depois a trabalho. Fiz estágio na Tetrapack na Argentina, estive em Portugal e entrei na Nestlé com uma equipe de jovens engenheiros industriais que passavam cada momento em um local. Assim, conheci os cinco continentes. É muito legal, aprende-se idiomas, culturas e, com a Nestlé, hábitos alimentares dos países. Estive em Caçapava, a fábrica brasileira, no interior de São Paulo. Depois, voltei para a Suíça, onde dei início à implantação da Nespresso do zero, desde as primeiras cápsulas, que eram produzidas ainda na planta da Nescafé, para depois construir uma fábrica própria ”, conta.

Enquanto ainda estava na Suíça, o executivo se casou e surgiu a oportunidade de vir ao Brasil com a família, encabeçando a operação de entrada da Nespresso no país. E foi o que fez: com duas máquinas de espresso e 400 cápsulas na mala, desembarcou em São Paulo e começou uma trajetória de muito sucesso. Abriu uma loja nos Jardins, região nobre da cidade, com a estratégia de atingir chefs e frequentadores dos bons restaurantes da região.

Deu certo. Quando saiu da Nespresso, em 2015, a operação no Brasil era de quase R$ 1 bilhão, maior do o total global da marca quando aqui chegou, há oito anos. Ele explica os motivos: sente que o brasileiro gosta mesmo de comida e gasta com alimentos e bebidas de qualidade, investe em gastronomia. “Outras culturas gastam muito com carros, mas comem qualquer coisa em casa. Por aqui, comida é status”, analisa.

 

Uma xícara e um par de óculos – De certa maneira, dá para dizer que o Brasil foi um dos motivos para Nilsson ter deixado o café para lá. “Eu deveria me mudar novamente para desenvolver a Nespresso em outro país. Mas gosto do Brasil, me adaptei aqui, minha mulher e meu filho também. Não queríamos ir embora. Aí decidi deixar a companha, o que foi difícil, pois eu me sentia parte, me sentia a marca, a empresa. Preferi sair, ir em direção ao novo”. Sem dúvida, Nilsson achou um desafio bem grande: comandar a rede de ópticas com um dos nomes mais conhecidos no país, a Fototica, que há pouco mais de um ano iniciou o processo de mudança para ser chamada de “GrandVision by Fototica” (ver VIEW 156), o nome global da divisão de óptica do grupo de investimentos holandês, e implantar um novo projeto de franquias.

O executivo chegou à empresa sem conhecer nada do setor e com o prazo de um ano para estudar e se integrar melhor ao negócio. Uma de suas primeiras observações foi como o setor óptico mundial reúne, relativamente, poucas pessoas e que todos se conhecem entre si. “A óptica é um setor antigo, muito familiar e há muito que modernizar, aqui no Brasil e em outros lugares. A GrandVision é uma iniciativa para tornar esse mercado global, mas é uma transição que será feita aos poucos, como está sendo aqui, que o nome ainda leva a assinatura da Fototica e em alguns mercados em que a Hal ainda não é maior acionista e que o comando permanece com as famílias”, explica sobre os caminhos e as ambições da empresa para o futuro.

 

Empoderamento – A meta da GrandVision é ser a rede número um no Brasil ou, ao menos, competir muito de igual para igual entre as maiores. Para isso, ano passado abriu 20 franquias e tem mais 17 que devem ser abertas este ano. Um dos desafios segue sendo a formalização do setor, um dos percalços enfrentados não só da Hal desde que chegou, mas por outros investidores internacionais que aportam por aqui. “Juntando isso à situação de instabilidade política e econômica e ao fato de que o México tem possibilidade de investimentos mais ágeis, cargas tributárias menores e mais simples e mais comércio relacionado ao turismo, o Brasil acabou sendo preterido como sede do escritório da Hal na América Latina”, explica sobre a ida de seu antecessor para o país da América do Norte. “A GrandVision é uma empresa global, quer uma postura corporativa, mas ainda é preciso tempo, já que cada país tem suas marcas, seus preços, suas práticas e isso não se muda de uma hora para outra”, define.

Recém-chegado, Stefan Nielssen ainda está se ajustando ao mercado, mas já conta que seu estilo envolve trabalhar com a missão da empresa, estimular ambição, ter sempre planos de ação e metas. “Estou estruturando as coisas com mais análises de vendas e minutas, delegando muito e empoderando meus funcionários.”

 

Um pouco sobre a GrandVision by Fototica

A história da Fotoptica começou em 1920, quando foi fundada pelo imigrante húngaro Desidério Farkas. A primeira loja foi aberta na Rua São Bento, no centro de São Paulo, e trazia na fachada o logotipo com uma máquina fotográfica, um olho e um galo. Inovou, na década de 1980, ao introduzir as revelações de filmes fotográficos em apenas uma hora. Já a primeira franquia surgiu na década de 90. Gradativamente, com o surgimento das câmeras digitais e celulares, a fotografia foi perdendo espaço até sumir das lojas atuais.

Em 1997, a rede deixou de ser um negócio familiar e foi vendida pela primeira vez a um fundo de investimentos. Em 2007, foi adquirida pelo fundo de investimentos Hal e colocada sob o “guarda-chuva” da subsidiária GrandVision B.V. Já em 2009, houve a integração da marca Fábrica de Óculos (rede baiana comprada pela Hal em 2007) e também a mudança de nome: a então Fotoptica perdeu o “p” de seu tradicional nome e tornou-se “Fototica”. Chegou a fechar franquias, em funcionamento desde 2000, já que o padrão de apoio a investidores franqueados não condizia com o modelo internacional do grupo.

Atualmente, a GrandVision by Fototica conta com 800 funcionários no país, incluindo equipes de 100 lojas nos estados de São Paulo, Bahia, Pernambuco e Sergipe, além de escritório, centro de distribuição e laboratório. Está entre as maiores empresas de varejo óptico do país – é a maior rede de lojas próprias -, com posicionamento de grande escala que busca oferecer variedade, estilo e qualidade aliados a preço acessível e vantagens, como lentes básicas incluídas no valor das armações e uma seleção de óculos masculinos, femininos e infantis a partir de R$ 99.

Flagship: fachada da loja-conceito da rede no Brasil, inaugurada em outubro, no Shopping Iguatemi, São Paulo

 

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#TBT Em março’2016,  a nova etapa: “Fototica agora é GrandVision by Fototica”

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