[Dicas & Estratégias] Como ter o negócio dos sonhos?

Em mais um artigo que reafirma a parceria entre a VIEW e o Provar, a renomada instituição para educação do varejo, a professora Aline Barbosa traz dicas de iniciativas sustentáveis bem-sucedidas.

É possível aumentar a lucratividade dos negócios, ter funcionários e clientes engajados e uma boa imagem perante a sociedade? Existe uma resposta para esta pergunta: sim, é possível, como mostrarei a seguir.

Tanto em pequenos empreendedores quanto em empresas mundialmente reconhecidas que produzem e comercializam lentes e óculos, é possível notar criatividade não apenas no design, mas também na produção com materiais alternativos como estojos feitos com fibras de garrafa Pet e forros de algodão natural, impressão com tintas à base de água, etiquetas de papel semente, material de comunicação impresso em papéis reciclados e certificados, lentes recicláveis e 30% mais finas e leves que utilizam somente água reciclada na sua produção, embalagens de fibra de madeiras recicláveis e óculos de madeiras reflorestadas.

A utilização desses produtos como alternativa à produção de materiais convencionais gera possibilidades de aumento na lucratividade por meio da economia obtida na produção, além do impacto social e ambiental positivo e do aumento do valor agregado da marca.

 

Recurso natural – A possibilidade de economia nos custos da produção ocorre devido à redução de custos com água, energia, matéria-prima etc. Por exemplo, a Essilor, que já produz uma lente totalmente sustentável, a Airwear. Na fábrica, em Manaus, toda água utilizada é reciclada e o policarbonato pode ser reutilizado em produtos como brinquedos e computadores. Além disso, a embalagem feita de papelão e fibra de madeira totalmente reciclável gerou, após o processo de implementação, 50% de economia no consumo de água, 10% no consumo de energia e a eliminação de 200 toneladas de plásticos que seriam descartadas na natureza.

Outro exemplo são os óculos de madeira da Zerezes, negócio que surgiu em 2012, quando quatro empreendedores cariocas que estudavam juntos perceberam a oportunidade de utilização de madeiras em abundância encontradas em caçambas e entulhos de obras. Depois, também investiram em outro projeto, chamado Restus, que transforma resíduos do processo de manufatura de peças de marcenaria em resina de base vegetal, permitindo assim a redução do desperdício e o reaproveitamento de algo que seria descartado.

 

Recurso humano – Em relação ao impacto social e ambiental positivo, esses negócios, além de utilizarem material ambiental e economicamente vantajoso, podem também contribuir socialmente. Como exemplo, a contratação de artesãos ou mão-de-obra local é uma forma de contribuir para o desenvolvimento da comunidade local, proporcionando inúmeras vantagens para um negócio, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista social. Nesse sentido, a empresa norte-americana Kayu, trabalha com armações produzidas manualmente por artesãos chineses e 100% à base de bambu. A empresa faz uma seleção rígida de comunidades rurais que ofereçam salários dignos para seu portfólio de fornecedores. Desta forma, valorizando o trabalho desses profissionais, a empresa contribui social, ambiental e economicamente, agregando valor ao seu produto, tanto em qualidade, como em imagem de marca.

 

Um olhar estratégico – Os recursos naturais e humanos são algumas das peças do quebra-cabeça da estratégia da empresa. Existe um pacote de outras peças que devem ser analisadas e consideradas para o sucesso de um negócio. Olhar estrategicamente para cada parte interessada no negócio, os chamados stakeholders – do inglês, algo como “público estratégico”, termo em inglês que define a cadeia formada por clientes, fornecedores, empregados, comunidade local, concorrentes, governo, acionistas e proprietários, entre outros – auxiliam a reduzir riscos e erros, minimizando os desperdícios de recursos e tempo.

Ao analisar cada parte interessada no negócio, pensando na comunicação clara e transparente desse relacionamento, permite-se um maior engajamento desses stakeholders. Uma empresa que pratica uma gestão participativa com seus funcionários pode ampliar suas chances de satisfação no ambiente de trabalho.

O mesmo ocorre com os fornecedores: ao preocupar-se com esse relacionamento, o negócio tende a aumentar seu poder de negociação, podendo gerar, como consequência, uma vantagem competitiva em relação à concorrência. Estar atento às necessidades dos clientes e da comunidade local é uma das formas de agregar valor ao produto e melhorar a imagem da marca. Quando isso é feito de forma genuína e honesta, pode proporcionar resultados significativamente vantajosos para o negócio.

Assim, se um negócio deseja aumentar seus lucros, ter funcionários e clientes engajados, além de uma imagem de marca forte, estar atento aos pilares da sustentabilidade é um caminho sólido e sustentável. Posto em outras palavras, para a atual empresa inteligente, a gestão sustentável não pode mais ser vista apenas como uma obrigação que a empresa tem em relação à sociedade, mas, principalmente, como uma valiosa peça no xadrez da acirrada concorrência empresarial que se vive atualmente. Sua empresa está preparada para essa transformação?

 

Doutoranda em Administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) e mestre em Administração pelo Centro Universitário da FEI, Aline dos Santos Barbosa é professora e coordenadora de cursos do Programa de Varejo (Provar) e do Laboratório de Finanças (LabFin) da Fundação Instituto de Administração (Fia), nos cursos de MBAs em Varejo, Inteligência de Mercado e Gestão de Negócios.

 

 

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