[Mondo Fashion] Giorgio Armani

Conheça o estilista cujo nome é praticamente sinônimo da elegância italiana conquistou o mundo da moda em plena maturidade, com estilo clássico, cores sóbrias, alfaiataria impecável e vestidos de noite que são puro glamour.

Texto Graziela Canella :: Concepção Andrea Tavares

 

Medicina, exército e moda

Tenra idade: Giorgio Armani com a mãe, Maria

Giorgio Armani nasceu em 11 de julho de 1934 na cidade de Piacenza, norte da Itália, filho de um gerente do segmento de transportes, Ugo Armani, com Maria Raimondi. Foi o segundo de três filhos, além de Sergio e Rosanna, junto aos quais viveu uma infância difícil durante a Segunda Guerra Mundial.

Desde pequeno, gostava de fazer bonecos de barro e seu interesse pela anatomia humana o levou a cursar medicina por dois anos. Deixou os estudos para cumprir o serviço militar e, aos 20 anos, durante um período de férias em Milão, aceitou um trabalho de vitrinista e assistente de fotografia na renomada loja de departamentos La Rinascente, em 1957.

Com o apoio da irmã, que trabalhava como modelo, Giorgio Armani rapidamente se integrou no círculo da moda italiana e não demorou a deixar de lado a carreira médica e militar. Pouco depois, assumiu o cargo de comprador de moda masculina na própria Rinascente e atuou por nove anos como assistente do estilista Nino Cerruti, na década de 60. Somente em 1970 começou uma carreira independente na moda, desenvolvendo roupas para grifes como Emanuel Ungaro.

Infância: à esquerda, com o irmão mais velho Sergio e a pequena Rosanna, todos de roupas iguais

 

Empreendedor aos 40

Empreendedor: Armani em seu ateliê, na década de 70

A marca própria com o nome Giorgio Armani nasceu em 1975, em sociedade com Sergio Galeotti. Aos 40 anos, com experiência sólida na criação de moda masculina, Armani finalmente sentiu-se pronto para iniciar um negócio também com desenvolvimento de coleções femininas. Vendeu um carro para completar um investimento de cerca de US$ 10 mil, alugou um pequeno escritório e contratou uma estudante de moda e uma secretária.

A primeira coleção de roupas femininas e masculinas foi apresentada alguns meses depois, com um estilo sóbrio e elegante que viria a se tornar sua marca registrada, especialmente em uma década lembrada pela estética do excesso. A alfaiataria e os vestidos de noite sofisticados tornaram-se clássicos e atemporais, com conforto e caimento perfeito. “Quero vestir a mulher que vive e trabalha, não a mulher em uma pintura”.

 

1978: anúncio celebra a chegada da coleção à loja de departamentos Barneys, em Nova York

Década decisiva

O final dos anos 70 e início dos 80 foi um período de rápida expansão para Armani, que iniciou com o contrato com um dos maiores fabricantes têxteis da época, o Gruppo Finanziario Tessile (GFT), e a chegada aos Estados Unidos e ao Canadá, em 1978.

Dois anos mais tarde, o estilista abriu a primeira loja em Milão e lançou sua marca de difusão, a Emporio Armani. Logo, inaugurou também lojas em Nova York e Japão, com coleções de perfumes, acessórios, roupas íntimas e coleções infantis. Mesmo abalado pela morte de Sergio Galeotti em 1985, vítima de câncer, Giorgio Armani assumiu o comando solo da marca, que completava dez anos, e conseguiu manter a empresa em crescimento.

 

 

 

 

 

Costura de cinema

Gigolô Americano: os costumes de Armani roubaram a cena

Uma das grandes contribuições para o prestígio internacional da marca se deu pelas colaborações com o cinema e a tevê. Tudo começou com o guarda-roupa sexy e impecável do personagem de Richard Gere em Gigolô americano, de 1980, com costumes mais ajustados ao corpo e abotoamento duplo, sem o excesso de volume e as ombreiras da época.

Desde então, o nome de Armani tornou-se sinônimo de elegância no mundo do entretenimento, tanto no figurino de filmes como Os bons companheiros (1990), de Martin Scorsese, e Vanilla Sky (2001), quanto no guarda-roupa de celebridades como Michelle Pfeiffer, George Clooney e inúmeros outros nomes de mesmo calibre.

A lista de celebridades vai além do cinema e inclui astros da música e jogadores de futebol – Cristiano Ronaldo, Kaká e David Beckham são alguns de seus garotos-propaganda.

 

O lobo de Wall Street: Leonardo DiCaprio de Armani

 

 

 

Rei das celebridades: sempre presente no tapete vermelho, Armani dá ares de diva às atrizes com silhuetas de sereia, como Jessica Chastain (à esquerda) e Nicole Kidman (à direita)

 

 

 

 

Crescimento faraônico

Um mundo Armani: o “templo” do estilista em Milão, inaugurado no ano 2000

Desde o início do novo milênio, a marca passou a estabelecer-se globalmente com grandes lojas-conceito, além de restaurantes e hotéis. Em 2000, Giorgio Armani abriu um de seus “templos” e o lugar escolhido não poderia ser outro: a Via Manzoni, às portas do Quadrilátero da Moda, em Milão. Com mais de 10 mil metros quadrados, ocupa o antigo prédio da Generali, tradicional seguradora italiana, datado de 1937.

Também se destaca a loja inaugurada em 2002 em Hong Kong, um dos maiores mercados da grife, com mais de 3 mil metros quadrados. Em 2009, foi a vez de um edifício na esquina da Quinta Avenida com a Rua 56, em Nova York, abrigar uma loja de cerca de 4 mil metros quadrados, com coleções de Giorgio Armani, Emporio Armani e Armani Jeans.

Entre as maiores: a flagship de Hong Kong

No segmento de hotelaria, Armani assinou contrato em 2005 com Mohamed Ali Alabbar para a construção de uma rede de hotéis de luxo. O primeiro foi inaugurado em 2010 no Burj Khalifa, a torre mais alta do mundo localizada em Dubai. Apesar da grandiosidade dos projetos, cada detalhe é elaborado e escolhido cuidadosamente sob a supervisão e o olhar elegante do italiano, desde revestimentos de couro feitos à mão em Florença até o mármore de granito verde bambu do Brasil instalado nos banheiros, sem contar todos os itens das coleções Armani Casa utilizados na decoração. A rede de estabelecimentos gastronômicos também é diversificada, de restaurantes japoneses e indianos até lojas de chocolates e elegantes cafés.

 

A marca no mundo

“#Gagarmani”: a popstar Lady Gaga mantém uma relação estreita com Giorgio Armani, que foi o designer exclusivo de sua turnê Born this way ball, de 2012

Aos 82 anos e acionista único de sua empresa, Giorgio Armani declarou recentemente que, enquanto estiver vivo, não quer suas marcas sob comando dos grandes conglomerados, e nem pretende ter outros estilistas assinando as coleções. Sem filhos, tem apenas sobrinhos como herdeiros, que integram a diretoria do Grupo Armani, hoje um dos poucos que ainda resiste às grandes aquisições do universo das marcas de luxo e posiciona-se entre os grandes, com 13 fábricas e 5,8 mil funcionários em todo o mundo.

Desenvolve produtos que vão de roupas, acessórios, joias, relógios, óculos, produtos para casa, cosméticos e perfumes até itens licenciados como carros e celulares, com um portfólio de marcas assinadas pelo estilista como Giorgio Armani Privé, Armani Collezione, Emporio Armani, Armani Jeans e EA7. A empresa mantém ainda mais de 750 lojas e 1,3 mil pontos de venda em mais de 50 países, com faturamento de cerca de € 2,5 bilhões.

 

Criação: croquis de Giorgio Armani para a popstar Rihanna e a atriz Jessica Chastain, esse último para a sua personagem Arina Morales, do filme O ano mais violento, de 2014

 

 

 

 

 

A visão de Armani

Giorgio Armani é protagonista de um dos mais bem-sucedidos e duradouros negócios da história recente da óptica mundial. Para começar, foi a primeira grife de moda a investir pesado em uma coleção de óculos por meio de uma parceria selada com a Luxottica em 1988 e que durou 15 anos. Com isso, acabou formatando uma operação que combinava moda, lucro e fabricação em série, que foi rapidamente replicada por muitas outras casas de moda, cada uma à sua maneira. Em 2003, o estilista assinou com a Safilo para a produção e a comercialização das suas coleções e, dez anos mais tarde, retomou com a Luxottica o contrato de licença para as coleções Giorgio Armani, Emporio Armani e A/X Armani Exchange.

Seu estilo sofisticado está em cada detalhe dos modelos, com caimento de uma peça de alfaiataria. Uma inovação de Armani foi o lançamento, em 2008, de uma campanha em formato de websérie com vídeos produzidos exclusivamente para os modelos da marca, intitulada “Frames of Life”, que retrata momentos inesquecíveis nas vidas de diferentes pessoas, nos quais os óculos aparecem quase como personagens.

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Estilo de vida

Giorgio Armani: trabalho, luxo e filantropia integram sua rotina aos 82 anos

Sempre vestido de camiseta e calça jeans, além do bronzeado e dos cabelos brancos impecavelmente alinhados, Giorgio Armani tem na disciplina um estilo de vida e provável fonte de juventude. Vive e trabalha no mesmo local, o Palazzo Durini, onde pratica exercícios físicos, trabalha de segunda a sexta-feira e apresenta suas coleções, em Milão.

Porém, nos finais de semana, aproveita o luxo e a tranquilidade da Villa Rivara, propriedade nos arredores da cidade que conta com um verdadeiro palácio de 25 cômodos cercado por um parque com lago, pomar e até uma horta onde crescem tomates para o preparo de molhos das massas caseiras servidas na casa. Com fortuna pessoal avaliada em US$ 7 bilhões, o estilista também dedica parte de seu tempo e dinheiro a causas humanitárias como uma casa de reabilitação infantil na Tailândia.

 

 

 

 

Supermodel: campanha de 2016 com a britânica Yasmin Le Bon, uma das principais modelos nas campanhas da grife nos anos 90

Ícones

Ternos bem cortados

Alfaiataria para homens e mulheres

Vestidos de noite com silhueta sereia

Paetês e tecidos nobres

Cores neutras como preto, branco, cinza e off-white

 

 

 

 

 

 

Pronúncia

“DJÓR-gio Ar-MÂ-ni”. A primeira sílaba de seu nome tem aquele charme italiano na pronúncia – o “gior-” vira “djór-”. Já “Armani” é falada tal qual se lê.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na rede

          @armani

 

 

 

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