[Um outro olhar] O poder das palavras

Maníaca por óculos, Andrea Tavares é editora da VIEW e do Blog da VIEW

Desde muito pequena, eu me apaixonei pela cultura pop. Os anos passaram e quanto mais oportunidades tive de conhecê-la, mais fui me encantando. E depois que o rigor dos 20 e dos 30 anos passou – sim, nessa idade, o ser humano é muito limitador e preconceituoso! -, pude ainda mais me apaixonar por uma de suas faces menos nobre. Foi aí que me assumi noveleira de carteirinha.

Sim, #prontofalei, eu gosto de ver novelas. E, mesmo gostando menos de uma ou outra, eu assisto mesmo assim. Talvez não com tanto rigor ou frequência, mas acompanho de longe. Salve Jorge, por exemplo, não foi das minhas preferidas de coração, mas deixou boas lembranças como as belas cenas de Istambul e um jeito de ser do núcleo turco da novela. Quando alguém falava algo ruim, expressando-se mal sobre si próprio ou sobre a vida, por exemplo, algum deles recomendava imediatamente: “não diga isso, porque as palavras têm poder!”

Achei incrível e concordei inteiramente. Sabedoria e tanto. Afinal, palavras são energia e se a gente emite sentimentos negativos por meio delas, esses sentimentos provavelmente nos farão companhia. Associo isso ao ato de reclamar. Quando alguém liga o botãozinho da reclamação e faz disso um hábito, um vício, sua vida certamente vai andar mais lentamente ou, no mínimo, começará a atrair coisas ruins. Lembro que passei por certo episódio há uns 20 anos que me fez virar reclamona por um tempo. Aquele problema que eu não conseguia resolver virou a minha razão de viver e era a deixa para qualquer comentário. Isso deve ter durado um mês, mas, hoje, quando lembro, parece que levou uma eternidade.

A sorte é que consegui ter um “semancol” rápido e perceber que precisava sair daquilo quando uma das partes envolvidas no problema me deu um toque. Sacudi a poeira e tirei um peso das costas, ou melhor, me livrei daquele fluxo estranho de energia. Percebi que reclamar pode se tornar um vício como qualquer outro. Um “reclamante” pode ser tão viciado quanto um fumante ou um alcoólatra. Todos estão fazendo mal para si próprios, seja pela ingestão de substâncias nocivas à saúde física, seja pela ingestão de energias ruins que vem do hábito de reclamar.

Obviamente, essa carga de energias gera um gigante lixo mental e emocional. Tal qual um computador cheio, que fica lento porque precisa de uma boa limpeza, seres humanos também passam por isso. Cortamos o fluxo de energias positivas com tanta reclamação e assim não há máquina ou pessoa capaz de funcionar bem!

Vale deixar de lado o ato de reclamar, mesmo que, para isso, seja preciso frequentar alguma forma de reabilitação, como terapia, meditação ou coisa que o valha. Saneando esse mal hábito, a pessoa consegue abrir espaço em sua cabeça (e na alma também!) para um novo jeito de ver a vida, mais positivo, e que só vai lhe trazer benefícios. Lembra daquela máxima que gentileza gera gentileza? Então, boas energias geram energias ainda melhores!

Cabe ao ser humano decidir se quer olhar o lado bom da vida mesmo naqueles momentos mais difíceis ou se deseja pegar o caminho mais curto e começar a reclamar e a colocar o pessimismo em prática – tornar-se um mensageiro do Apocalipse, como bem definem alguns. No fundo, a pessoa é frágil, não sabe lidar com seus medos e embarca na onda do pessimismo. Às vezes, tem pena de si mesma (essa é a pior viagem). O problema é que, dessa forma, impede o fluxo de boas energias. E como eu já comentei por aqui, onde há medo não há amor.

Como fala o rabino norte-americano e guru cabalista, Yehuda Berg, o universo é como um espelho. Se a gente disser uma palavra gentil para o espelho, ele nos dirá o mesmo de volta. Basta começar a xingar o espelho e a imagem xingará de volta. São nossas próprias ações que repercutem em nossas vidas, como reflexos voltando de um espelho cósmico. Portanto, passe a sorrir para o mundo (mesmo que no começo seja um sorriso tímido) e o mundo lhe sorrirá de volta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

468 ad