[Um outro olhar] Momentos que inspiram

Maníaca por óculos, Andrea Tavares é editora da VIEW e do Blog da VIEW

Gosto de futebol desde sempre. Nunca esqueço a felicidade de assistir à minha primeira Copa do Mundo. Infelizmente, a seleção não trouxe a taça naquele ano e eu tive de começar a entender que nem sempre se ganha, mas é preciso jogar. Os anos passaram, o Brasil conquistou dois outros títulos, e hoje admiro tantas outras coisas nesse esporte que vão muito além de um resultado positivo no placar.

Eu me encanto com o poder de mobilização das massas do futebol, entre outros esportes. E por envolver tanta paixão, acabou se tornando, também, fonte de aprendizado. É que, competitiva por natureza, eu levava a sério vitórias e derrotas e ficava irritada com as piadinhas dos torcedores de outros times. O que não demorava muito para se tornar uma briguinha sem sentido, gerando energias ruins. Assim, aprendi que o esporte é um grande exercício de respeito e o pratico diariamente, ainda mais em tempo de redes sociais, em que se compartilha, com frequência, as emoções durante e após os jogos.

E há momentos inspiradores no esporte. Sei que, durante a Copa das Confederações, em junho, o Brasil e seu povo protagonizavam algo muito mais importante que o futebol, finalmente despertando para a necessidade de reivindicar mais qualidade de vida e menos abuso, entre outros pontos, o que eu acho genial e apoio, mas não consegui deixar de acompanhar o torneio e rapidamente me encantei com a seleção do Taiti e a sua relação com a torcida brasileira.

Primeira participação no torneio e com apenas um atleta profissional, os taitianos se tornaram o xodó dos brasileiros e retribuíram à altura. Com carisma de sobra e talento nos pés inversamente proporcional, consideraram um sonho a sua passagem pelo Brasil: pela primeira vez classificaram-se para um torneio da Fifa, nunca haviam jogado em estádios tão grandes, enfrentado seleções como Espanha e Uruguai e sido embaladas por uma torcida como a nossa. E, estimulados por essa oportunidade, transmitiram uma energia muito legal.

O último jogo, contra o Uruguai, foi o auge: sonoros “olés” eram entoados a cada troca de bola e a defesa de um pênalti pelo goleiro taitiano foi celebrada pela torcida como uma conquista de Copa do Mundo. Para despedir-se, os jogadores estenderam uma faixa com um carinhoso “Obrigado, Brasil!” e, enrolados em bandeiras brasileiras, deram uma volta olímpica no gramado da Arena Pernambuco, em Recife, retribuindo o carinho da torcida.

Voltando ao tema da minha coluna na edição anterior, O poder das palavras, quando falei como o ato de reclamar pode ser nocivo, é bom também comentar o lado positivo. E uso mais um exemplo do futebol. Trata-se da campanha do Atlético Mineiro na Taça Libertadores. O time nunca havia ganhado o torneio e lutou bravamente para chegar lá. Em vários jogos, inclusive na final, entrou em campo com dois gols de desvantagem.

Aí, além do talento da equipe e da dose necessária de sorte, valeu o poder das palavras. Rapidamente, a torcida lançou um novo e incrível grito de guerra: “eu acredito”. E o time adotou como lema a frase “Yes, we C.A.M.”, usando como base o slogan vencedor do candidato a presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nas eleições de 2008, o “Yes, we can”, isto é, “sim, nós podemos” – “C.A.M.”, semelhante a “can”, são as iniciais de “Clube Atlético Mineiro”. Escolhas perfeitamente positivas que geraram uma atitude mental para lá de favorável à vitória; Tanto a equipe quanto a torcida fizeram a sua parte.

Essas afirmações nos mantêm blindados contra aqueles sentimentos derrotistas. Uma atitude mental positiva é o visto no passaporte do sucesso. Pense nisso e deixe de lado a ladainha de reclamações, abrindo espaço para boas energias em sua vida!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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