Carol agora é Luxottica

O ano de 2017 chegou bombando para a óptica mundial. Primeiro, foi a fusão entre Essilor e Luxottica, criando a EssilorLuxottica, anunciada em 16 de janeiro, e que a VIEW trouxe em detalhes na edição passada. Exatas duas semanas mais tarde, as novidades ecoaram no Brasil, com a divulgação da compra da Óticas Carol também pela Luxottica.

Presença mundial: com a compra da Óticas Carol, a divisão de varejo da corporação italiana passa a contabilizar quase 9 mil pontos de venda espalhados pelo planeta

Em 30 de janeiro, a Luxottica anunciou a compra de 100% da Óticas Carol por € 110 milhões (cerca de € 366 milhões, no câmbio de hoje), uma das maiores redes do país, com vendas anuais na casa dos € 200 milhões (R$ 664 milhões), segundo o comunicado oficial da corporação italiana. A transação será submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tem previsão para ser concluída ainda no primeiro semestre.

Rede global – De acordo com o fundador e presidente da Luxottica, Leonardo Del Vecchio, “o Brasil é um grande país, em que a Luxottica passou a acreditar há 25 anos” – em 1992, iniciou suas operações por aqui, com a abertura de uma subsidiária. “Com essa negociação, a empresa dá mais um passo rumo à conclusão do seu modelo de negócios verticalmente integrado”, completou.

Já o CEO da Óticas Carol, Ronaldo Pereira, avaliou que a “transação leva a Carol a um novo nível. Os franqueados farão parte de uma rede global de óptica, gerando ainda mais estabilidade para continuar a crescer e a investir na marca. Agora, a Carol tem todas as ferramentas necessárias para avançar com seus planos de expansão”.

Com isso, a corporação italiana, além de sua rede própria especializada em óculos solares, a Sunglass Hut, detém agora uma das maiores cadeias de óptica do país, atualmente com 950 lojas.

Novas marcas e oportunidades – Em carta a franqueados e toda a equipe da Óticas Carol, o CEO (do inglês, “Chief Executive Officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo) Ronaldo Pereira comunicou a aquisição, informando que as lideranças permanecem as mesmas, não há planos de mudança de sede e que as empresas vão se manter completamente independentes até a aprovação da compra pelo Cade. Sobre a mudança dos fornecedores, afirmou que há contratos sólidos com os atuais parceiros e que a Carol continuará a ser uma empresa voltada para o consumidor, mas que “possivelmente serão apresentadas novas marcas e oportunidades”.

A Carol está completando duas décadas de existência. Foi fundada em 1997 pelo empresário Odilon Santana, que abriu duas lojas em Sorocaba, interior de São Paulo, e, como Pereira fez questão de comentar em seu comunicado, até hoje a família Santana permanece no negócio, na condição de franqueada. Em 2000, a rede iniciou o processo de franquias e, seis anos mais tarde, a Tecnol adquiriu 50% da rede. Com a sinergia criada por conta da capacidade produtiva da nova sócia, houve o fortalecimento das marcas próprias no ponto de venda. Em 2008, a Tecnol saiu de cena com a fusão entre o Grupo Amaro Participações, do empresário Marcos Amaro, e a Óticas Carol. Em março de 2013, foi anunciada a venda para o fundo de private equity inglês 3i.

Vinte e cinco anos de Brasil – A Luxottica começou sua operação por aqui em 1992 com a abertura de uma subsidiária em São Paulo, logo após a abertura do mercado promovida pelo governo de Fernando Collor, atendendo o varejo com sua divisão de atacado. Em 2011, foi a vez de o varejo desembarcar por aqui, com a abertura de lojas da Sunglass Hut, a rede especializada em óculos solares que hoje soma 81 lojas em território nacional (desse total, dez são franquias). No final do mesmo ano, adquiriu 80% da maior fábrica de óculos do país, a Tecnol, pelos mesmos € 110 milhões que pagou pela Carol – segundo o comunicado na época, a totalidade acionária viria ao final de quatro anos, com a compra, a cada ano, de 5% dos 20% restantes com valores predeterminados.

Atualmente, a fábrica, sediada em Campinas, está totalmente adaptada aos padrões de produção e qualidade da corporação italiana com linhas de produção para peças de acetato e metal e fabrica coleções das marcas Armani Exchange, Arnette, Oakley, Ray-Ban e Vogue, o que representa 50% dos óculos comercializados em território nacional pela Luxottica. Em 2015, a corporação produziu globalmente 93 milhões de armações de receituário e óculos solares em 12 fábricas localizadas em cinco países: além de uma unidade produtiva no Brasil, as nações são China (três unidades), Estados Unidos (uma unidade), Índia (uma unidade) e Itália (seis unidades).

A divisão de varejo da Luxottica teve vendas líquidas de € 5,4 bilhões em 2015 e contabiliza, atualmente, 7,8 mil lojas (sem contar as lojas da Óticas Carol) pelo mundo, sendo que 78% desse total está na América do Norte (78%).

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